A Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul prestou 174 atendimentos a moradores da Reserva Indígena de Dourados (RID), nas aldeias Jaguapiru e Bororó, no início do mês. A ação itinerante, promovida pelo Núcleo Institucional de Promoção e Defesa dos Povos Indígenas e da Igualdade Racial e Étnica (NUPIIR), integra a rotina periódica da instituição para assegurar o acesso à Justiça e incluiu atividades relativas à campanha Agosto Lilás, voltada ao enfrentamento da violência contra a mulher.
O trabalho na comunidade busca superar entraves geográficos enfrentados pela população local. Como o território indígena situa-se distante do perímetro urbano de Dourados e não conta com linhas regulares de transporte público, a instituição organiza o agendamento prévio das demandas. O modelo evita o deslocamento dos moradores até a cidade apenas para a marcação de horários. Durante a presença na área, a equipe também promoveu a distribuição de água potável aos assistidos.
A coordenadora do NUPIIR, defensora pública Ligiane Cristina Motoki, explicou a sistemática empregada para a prestação do serviço no local.
"A Defensoria vem adotando medidas para facilitar o acesso da população indígena aos serviços da Instituição. Entre as ações está a organização e o agendamento prévio dos atendimentos junto às comunidades, para que as pessoas indígenas, em regra, não domiciliadas na área urbana, não precisem se deslocar até a cidade apenas para marcar um atendimento e retornar posteriormente. A iniciativa busca facilitar o acesso à Justiça e oferecer um atendimento mais adequado à realidade das comunidades indígenas, fortalecendo a atuação da Defensoria Pública de forma próxima e acessível", declarou.
A mobilização no território coincidiu com as ações do Agosto Lilás, período dedicado à conscientização e ao combate à violência doméstica e familiar. No contexto das comunidades tradicionais, a pauta abrange a defesa da identidade cultural, do território e da autonomia das mulheres. Durante o atendimento, os integrantes do núcleo receberam a visita de Dona Alda Silva Kaiowá, liderança comunitária que retornou às atividades locais após alta hospitalar resultante de um período de 33 dias de tratamento de saúde.
A presença da liderança representou o histórico de participação feminina nas causas da reserva. Durante a ação, os membros da instituição reafirmaram o compromisso com a orientação jurídica contínua e o fortalecimento da rede de proteção às mulheres indígenas.