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14/07/2026

MG: Defensoria Pública realiza cerimônia de formatura da quarta turma de Defensoras Populares

Fonte: ASCOM/DPEMG
Estado: MG
A Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG), por meio de sua Escola Superior (Esdep) e da Coordenadoria Estadual de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres (CEDEM), realizou a cerimônia de formatura do IV Curso Defensoras Populares. O evento aconteceu no sábado (11/7), no Auditório da Unidade I da DPMG, em Belo Horizonte, e contou com 38 mulheres que receberam a certificação e passaram a integrar a rede de defensoras populares.
 
Durante a cerimônia, a defensora pública-geral do Estado, Caroline Loureiro Goulart Teixeira, destacou a relevância do curso Defensoras Populares como instrumento de fortalecimento da cidadania e de ampliação da rede de promoção e defesa dos direitos das mulheres. Em sua fala, ela celebrou a formação de mais 38 mulheres capacitadas para atuar em seus territórios como multiplicadoras de informações e agentes de transformação social. “Ver mulheres capacitadas, sabendo dos seus direitos e prontas para propagar e multiplicar esse conhecimento, é maravilhoso. Com vocês, a Defensoria Pública alcança lugares e pessoas através dessa rede que estamos fortalecendo”, afirmou.
 
A defensora pública-geral também agradeceu às participantes pela confiança na Instituição e ressaltou a importância do compromisso coletivo na construção de uma rede de apoio cada vez mais fortalecida. “Vocês estão prontas para sair por aí e mostrar que nós, mulheres, somos fortes. Hoje não estamos apenas entregando um certificado, estamos ampliando uma rede que precisa estar cada vez mais forte”, destacou, reafirmando o compromisso da Defensoria Pública com a promoção e a defesa dos direitos das mulheres.
 
Paraninfa da turma, a coordenadora da CEDEM, defensora pública Luana Borba Iserhard, destacou o papel transformador das novas Defensoras Populares e a importância da formação como instrumento de ampliação do acesso à informação e aos direitos.  “Vocês passam a ser referências preparadas em suas comunidades. O papel de vocês é transformador. Hoje vocês recebem um certificado, mas também a responsabilidade de ser uma ponte entre mulheres que precisam de ajuda e a rede que está preparada para atendê-las”, frisou.
 
A coordenadora também enfatizou que a diversidade de trajetórias e experiências das formandas fortalece o projeto e contribui para que mais mulheres encontrem acolhimento, orientação e caminhos para romper situações de violência e vulnerabilidade.
 
A defensora pública Samantha Vilarinho Mello Alves, em atuação na Defensoria Especializada na Defesa dos Direitos das Mulheres em Situação de Violência de Gênero (NUDEM-BH), celebrou a consolidação do curso Defensoras Populares dentro da estrutura institucional. “É uma alegria enorme perceber que esse projeto foi institucionalizado e que agora acontece de forma contínua, graças ao trabalho da Escola Superior da DPMG. Ver essas mulheres dos territórios, lideranças comunitárias, cada vez mais fortes e organizadas é motivo de muito orgulho”, destacou.
 
“Seremos ponte entre a comunidade e a Justiça”
A oradora da turma, Gerriula Aparecida, relembrou que o curso Defensoras Populares vai muito além de uma formação teórica, constituindo um processo de transformação individual e coletiva. Em seu discurso, ela destacou que a iniciativa, idealizada em 2017 na DPMG, tem como propósito democratizar o conhecimento sobre os direitos das mulheres por meio de uma linguagem acessível e conectada à realidade das participantes.
 
A oradora afirmou que a experiência vivida ao longo dos meses de formação ampliou a consciência das participantes sobre seu papel na promoção dos direitos humanos. “Hoje receberemos um certificado, mas acima de tudo receberemos uma missão. Sermos defensoras populares significa sermos a ponte entre a comunidade e a Justiça. Significa levar informação onde antes havia silêncio, acolhimento onde havia medo e esperança onde muitas vezes só há sofrimento”, declarou.
 
Em um dos momentos mais marcantes do discurso, a representante da turma ressaltou que nenhuma participante deixava o curso da mesma forma que ingressou. “Nenhuma de nós sai daqui igual à mulher que entrou no dia 11 de abril. Saímos mais conscientes, mais preparadas e, sobretudo, mais comprometidas com a promoção dos direitos humanos e com a construção de uma sociedade mais justa e igualitária”, afirmou.
 
Ao agradecer à Defensoria Pública, às colegas e aos profissionais envolvidos na formação, ela defendeu que o conhecimento compartilhado ao longo do curso deve se transformar em instrumento de mudança social. “Quando uma mulher conhece seus direitos, fortalece a si mesma. Quando compartilha esse conhecimento, fortalece sua comunidade. E quando muitas mulheres caminham juntas, fortalecem toda a sociedade”, concluiu.
 
Lançamento da revista digital
Outro destaque da cerimônia foi o lançamento da Revista Digital Defensoras Populares, publicação eletrônica criada para reunir reflexões, experiências e produções desenvolvidas ao longo do curso. A iniciativa reúne textos escritos por facilitadoras e participantes sobre temas abordados durante a formação, além de relatos de vivências e práticas realizadas nos territórios.
 
A proposta é que a revista se consolide como um espaço permanente de registro, troca de experiências e valorização da produção das próprias Defensoras Populares, mantendo viva a reflexão iniciada durante a formação.
 
Ao apresentar a iniciativa, a coordenadora da Esdep, defensora pública Silvana Lourenço Lobo, destacou que a publicação busca ampliar a voz das participantes e preservar as contribuições produzidas ao longo do curso. “A finalidade é justamente permitir que as alunas e facilitadoras escrevam sobre os temas trabalhados, sobre as impressões que o curso trouxe para elas e sobre experiências exitosas vividas em seus territórios. É muito importante porque registra aquilo que vocês aprenderam, refletiram e gostariam de compartilhar. Isso fica imortalizado em uma revista eletrônica”, afirmou.
 
A primeira edição da revista traz conteúdos produzidos durante a terceira edição do curso. Novas edições serão lançadas junto das próximas turmas do projeto, fortalecendo a construção coletiva do conhecimento e a rede de defensoras populares em Minas Gerais.
 
Aparecida Carvalho é moradora do bairro Ermelinda, na região noroeste de Belo Horizonte, e compartilhou que a participação no curso representou uma experiência de grande aprendizado e crescimento pessoal. Segundo Aparecida, a formação proporcionou conhecimentos fundamentais sobre temas que impactam diretamente a vida das mulheres e das comunidades: “Foi muito satisfatório, enriquecedor. Espero sair daqui para realmente cumprir o dever com o qual estou sendo congratulada, levando adiante os ensinamentos que recebi aqui”.
 
Moradora do bairro Céu Azul, na região da Pampulha, Caroline Ribeiro é psicóloga de formação e atua na área de assistência social, com foco na população em situação de rua. Para Caroline, ser uma defensora popular é a conquista de mais uma etapa em sua trajetória e os novos aprendizados vão contribuir ainda mais para sua atuação no trabalho e nos espaços em que atua: “O conhecimento nos leva para diversos lugares e o que a gente aprende vem sempre para podermos auxiliar outras pessoas”.
 
 
Defensora popular Caroline Ribeiro
Tatiane de Souza é do Ceará, mas mora em Belo Horizonte há nove anos. Formada em serviço social, ela contou que conheceu o curso por meio das redes sociais e que desde o início teve total apoio da família. “Os temas abordados foram o que mais me chamou a atenção. Para a minha profissão, foi um complemento muito importante, principalmente em relação aos encaminhamentos e ao conhecimento dos órgãos e serviços que podemos acionar diante de cada situação”.
 
Ao avaliar a formatura do curso, Tatiane definiu o momento como mais uma conquista pessoal e destacou a inspiração trazida pelas trajetórias das colegas. “O que mais me chama a atenção é ver mulheres que querem melhorar a própria vida e, ao mesmo tempo, ajudar outras mulheres. Isso é muito valioso”, declarou.
 
Júlia Aline é natural do Vale do Jequitinhonha e atualmente trabalha em Ipatinga como assistente social. Júlia compartilhou que a participação no curso exigiu dedicação e um grande esforço de deslocamento para estar presente nos encontros realizados aos sábados em Belo Horizonte. Apesar das dificuldades e da distância, ela afirmou que a experiência compensou cada viagem realizada, pois os conteúdos abordados ampliaram seus conhecimentos sobre gênero, enfrentamento ao racismo e redes de proteção às mulheres em situação de violência. “Apesar de a gente saber o que tem que ser feito para tirar uma mulher do ciclo de violência, muitas vezes a gente não vai conseguir, mas isso não significa que devemos desanimar”, afirmou.
 
Após o momento de entrega dos certificados às formandas, a cerimônia se encerrou com uma apresentação artística do grupo Manda Cultural – Ala das baianas, composto por defensoras populares das edições anteriores.
 
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