Toda mãe tem uma história. Todo mundo tem uma história de mãe. Aquelas frases conhecidas que ao ouvir logo remetem aos momentos marcantes de uma caminhada de defesa, cuidado e amor. São passos que fundem as mulheres que sempre foram e as que se tornaram. São mães. O maternar desperta dentro de cada uma.
Em comemoração ao Dia das Mães, a Defensoria Pública lança a campanha Histórias de mães – Uma defesa de amor que traz relatos de uma maternidade possível e real, alicerçada no amor, na coragem e na superação. Afinal, toda mãe tem histórias para contar, não sobre “o mito da maternidade perfeita”, mas sobre algo que importa: ensinar a amar e aprender a amar outro ser.
Não é fato que mães “só mudam de endereço”, como se costuma ouvir. Cada mãe é única e é preciso humanizá-las. A representatividade materna no mundo profissional é algo fundamental, tirando- a do lugar de ‘obstáculo’ para ser vista como um trampolim, um alicerce que colabora para a descoberta de novos dons e que lança mulheres em grandes voos. Entre mamadeiras, fraldas, agendas escolares, idas e vindas ao médico, existem profissionais incríveis que cumprem suas responsabilidades com empenho, compromisso e dedicação. Cada relato traz um pedacinho da história das mulheres que alicerçam a Defensoria Pública do Ceará.
“A vida vai nos projetando e nos moldando constantemente”. A afirmação retrata como a colaboradora Eleonora Basto e compreende sua história de mulher, de mãe e profissional – um processo contínuo de construção e descobertas. Desde o início em atividade na Coordenadoria das Defensorias da Capital (CDC), Eleonora cruzou as portas da Defensoria Pública iniciando suas funções em 1998. Na época, com os três filhos, ela relembra o frio na barriga que, inicialmente, a retomada ao mercado de trabalho despertou.
“Quando cheguei à Defensoria já tinha meus três filhos. Dois adolescentes e uma pequena. Nos desafios do meu dia-a-dia ia me redesenhando, aprendendo como organizar as atividades e equilibrar as rotinas. Acredito que esse é um processo que nunca pára, estamos em constante ascensão. A maternidade cativa em nós o amor, o cuidado, o senso de responsabilidade, a necessidade de se reinventar mesmo. Sem dúvida, esta vivência me fortaleceu enquanto mulher e como profissional. Hoje, meus filhos estão adultos e já estão com seus filhos. E esse testemunho se repete, agora com eles. Sinto que deixei um exemplo de amor e dedicação aliado a uma boa semente sobre o quanto o nosso trabalho é importante, bem como os nossos ideais e nossa segurança financeira. Me sinto orgulhosa e com a convicção de que o esforço valeu a pena! Essa é a gratidão de ser mãe, um dom de amor e ensino”, pontuou.
Já para subdefensora do Ceará Samia Farias, a jornada está em curso. Com dois filhos pequenos, Davi e Luís, ela destaca que sua atividade profissional se alicerça no amor e na solidez de sua vida privada. “Quando contamos histórias de mães reais, damos luz às nossas fortalezas. Como mãe, sinto que ressoa no meu lado profissional todos os encantos e desafios maternos. Talvez muitas mães se identifiquem com esse meu relato, a maternidade, sem dúvida, me enriquece em vários pontos: sei gerir melhor o tempo, melhorei minhas habilidades em ser “multitarefa” – que é algo bem marcante no maternar – acredito que melhora minha criatividade, a capacidade de ser flexível e principalmente, a empatia. São pontos que vamos trazendo pro dia a dia como profissional. Ser mãe me fez aprender a sentir mais e com mais intensidade, principalmente, quando olhamos para o lugar do outro. Quando alio isso com a Defensoria, isso eu entendo na minha vida como transformador”, ressalta.
A colaboradora Sandra Vendas, do Nudep, corrobora: “uma mãe antes de tudo é um forte”. A brincadeira define seu sentimento sobre a maternidade que fala sobre o outro. “Todos os dias, posso exercer no Nudep a empatia de ser mãe. O pulsar, o sentir e se colocar no lugar do outro. Ser mãe fincou em minha memória o que eu devia buscar, todos os dias: ser íntegra, dedicada e comprometida com o bem-estar dos meus e do meu próximo. Hoje, vivo a maternidade com um gostinho especial: sendo a avó. Sem dúvida, posso afirmar que a maternidade extraiu o melhor de mim. Somos fortaleza e seremos sempre “, ressaltou.
Para a defensora Rozane Magalhães, supervisora do Núcleo de Solução Extrajudicial de Conflitos, a estrada corre alegre no seu curso: ser filha e ser mãe. Experiências que se complementam e transformam. “Ser mãe me mostrou e me mostra a cada dia que o amor infinito existe, não querendo dizer com isso, que seja perfeito, pelo contrário, cometemos muitos erros e tropeços, mas nada supera a vontade de dar o seu melhor. Em vários momentos, é simplesmente curtir, sem fazer tantos questionamentos, sem buscar respostas, pois o que importa é o aqui e o agora!!”, lembra.
Quando chega no papel de filha, ela fala sobre este tracejado que se sucede. “Minha mãe não me ensinou o cotidiano da maternidade, mas sua condução, suas atitudes, com certeza, moldaram a minha maneira de me fazer presente junto aos meus filhos! A experiência de ser mãe não é igual a de ninguém, não dá para fazer comparações! É única, particular e especial! Agradeço à minha mãe por ter sido a mãe que pôde ser, entregando o seu melhor”, afirma.
Seguir os passos da mãe está na história de Marília Alves, colaboradora do Núcleo Descentralizado do João XXIII. Ela tem na memória a alegria de prestar o atendimento humanizado que a mãe Marta Alves, que foi colaboradora da Defensoria por mais de 10 anos, fazia. Não só o modo comprometido de trabalho, mas o sorriso largo de Martinha. Dos três filhos, ela é a filha do meio, e foi escolhida por seu irmão Miguel como sua guardiã. Assim, Marília vem aprendendo sobre uma maternidade real, mesmo que de modo indireto. “De uma forma tão inesperada ganhei uma das minhas maiores alegrias, meu irmão é tudo pra mim. O carinho que recebo todos os dias quando chego do trabalho é o melhor do meu dia, faz a diferença na minha vida”, compartilha.
“Depois da maternidade, a mulher experimenta uma avalanche de transformações, crescimento, amadurecimento e muitas possibilidades de superação. A maternidade e carreira podem ser conciliadas e fortalecer a esfera profissional. No meu caso, aguçou ainda mais o desejo de poder lutar por um mundo mais justo, me mobilizou nas questões de respeito às diversidades, colaborando ao mesmo tempo na formação de minha filha com esse olhar de respeito”, destaca a coordenadora do setor de psicossocial, Andreya Arruda Amêndola, que é mãe de uma menina de 16 anos, Vitória.
Nos últimos seis anos, Andreya assumiu mais um desafio, passou a ser um pouco ‘mãe de sua mãe’, em seu processo de adoecimento e envelhecimento. Uma rotina de cuidados, amor e compromisso. “O cuidado sempre perpassou minha vida. Desde minha caminhada como filha, neta, mãe, mãe de minha mãe e dos meus avós e mesmo na esfera profissional, existe esse olhar de cuidado e acolhimento. A soma de todos os meus papéis me constitui enquanto ser humano e me atravessa enquanto profissional também. Essa multiplicidade alicerça e dá sentido e significado aos meus caminhos, minhas escolhas e meus objetivos, impactando fortemente meus valores e lutas”, reverbera.
Assim, destacamos alguns dos maiores valores que carregam as figuras que são mães, mas também ao amor que carregam quem entendeu-se no papel de filhos, filhas, netos e netas. O fato é que a gente não subtrai na maternidade: a gente se multiplica.