Presidente Lula ressalta importância da Defensoria Pública para os mais pobres
Estado: RJ
De forma bem-humorada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou ontem os advogados que ficam à espera de clientes nas portas de fábricas para ganharem honorários sobre direitos que o cidadão comum teria. Lula citou um caso próprio, quando perdeu o dedo mínimo numa máquina, na década de 60. O assunto surgiu na cerimônia para sanção da lei complementar que altera a Lei Orgânica da Defensoria Pública.
Segundo Lula, na época, um advogado se aproximou dele e disse que o ajudaria a receber o seguro pelo acidente — embora não fosse necessária a atuação de um profissional. O advogado quis cobrar 20% de honorário: — Há aqueles advogados, que ficam na porta da Justiça, na verdade, muitas vezes, enganando o pobre do trabalhador.
Quando se recebe uma AM (espécie de documento) do Fundo de Garantia, é só ir no banco depositar e marcar a data para receber.
Mas o advogado promete: “Vai no meu escritório que eu consigo mais rápido.” Aí, o coitadinho vai e não consegue mais rápido coisa nenhuma e tem de pagar 20% para o advogado.
O presidente disse que não pagou os honorários porque recorreu a outro profissional , do sindicato, e este telefonou para o colega desistir da cobrança.
— Cheguei lá, o advogado me deu um tremendo carão, uma esculhambada, mas me deu meu dinheirinho todo. Fiquei quieto porque terminei não pagando.
Achei que era injustiça.
Lula disse que a Defensoria Pública permite aos mais pobres ter acesso à Justiça: — Fico imaginando os milhões e milhões de mulheres e homens neste país que não têm ninguém para defendê-los e, às vezes, são condenados por bobagem.
Ao fortalecer a Defensoria, estamos apenas garantindo ao cidadão mais humilde o mesmo direito de alguém que pode contratar o mais importante advogado deste país.




