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24/11/2021

CE: O futuro é de quem sonha (e faz)!

Fonte: ASCOM/DPE-CE
Estado: CE
O futuro é de colher ações, intenções, emoções. E também é negro. Porque a negritude também idealiza. Aos 16, Michelle dos Santos sabe disso. Estagiária do programa Primeiro Passo na Defensoria Pública Geral do Ceará (DPCE), ela já enxerga o amanhã como um lugar de esperança para viver melhor. “A gente vê que vai ser um futuro de liberdade. Você vai ser livre para ir e vir sem medo, vai ter a liberdade de se expressar e a liberdade de ser quem é, independente da cor”, sentencia.
 
Além de pensar em tempos melhores para a comunidade negra, a adolescente tem planos próprios. Pretende concluir o Ensino Médio e cursar Psicologia, buscando, assim, garantir o direito de conquistar e ocupar o lugar sonhado por ela na sociedade. “Eu acho que o lugar da pessoa negra é onde ela quiser. Ela pode ser o que ela desejar: defensora pública, advogada, juíza, promotora… O lugar da pessoa negra é onde ela se sente bem”, ensina.
 
O entendimento é parecido com o de Jéssica do Nascimento, de 31 anos. Assistente administrativa do setor de Protocolo da DPCE, ela vem da periferia. Um lugar de sonhos e vontades muitas vezes colocado como tabu, mas que, na verdade, é um canto de reinvenções. Resistência. Renascimento. Para ela, trabalho é oportunidade de um futuro diferente, possível. Um afrofuturo, tempo no qual negros e negras terão mais referências, estarão em mais espaços de poder, se enxergarão belos como são, intelectuais como são, ancorados a uma ancestralidade boa e protagonistas do que desejam pra si e pros seus.
 
Algo que, para algumas gerações, já foi mais complicado e doloroso, apesar do tanto que ainda se tem de avançar. “Na minha vida, eu nunca pensei em sonhos quando era pequena. Eu não tinha uma referência pra poder dizer “olha, você pode mais”, até porque a gente, por morar na periferia, tem a tendência de sobrevivência. Ver o protagonismo de negros em filmes e jornais é importante. A gente não via isso antes. Existe agora uma Barbie negra em homenagem à cantora Iza e isso é extremamente significativo! Eu nunca tive quando pequena uma boneca negra. Quando minha mãe teve a oportunidade de nos presentear com algo, eu nunca tive a possibilidade de escolher uma boneca preta. Era sempre uma boneca branca, dos olhos azuis. É essencial ter referências, referências negras, pra eu poder ligar a televisão, me identificar com o que estou vendo e sonhar.”
 
É justamente na busca por esse espaço em diferentes setores que surge o movimento afrofuturista. A corrente de pensamentos aborda, sobretudo, o protagonismo negro, a representatividade negra em várias frentes de expressão, como a literatura, o cinema e a música. O afrofuturismo coloca negros e negras em evidência, e apresenta a perspectiva do negro enquanto sujeito de si e criador de si, mas aliado a uma temática distópica ou futurista, que projeta o mundo numa outra perspectiva. Uma perspectiva afro.
 
Cientista social, Jonael Pontes acredita que o impacto desse movimento será enorme, uma vez que o afrofuturismo procura subverter a lógica do sujeito branco no topo da pirâmide social e coloca a pessoa negra em evidência.
 
“As esferas de poder são disputadas e o indivíduo negro está sempre no lugar de subalternidade. O afrofuturismo, então, é uma maneira de inserção nesses espaços, mas com o negro sendo o protagonista das histórias. É muito forte você olhar numa tela de cinema e se ver representado! Você olhar para aquele indivíduo e perceber que ele é igual a ti e que ele é um ser humano com a tua cor de pele e que está tendo aquele protagonismo. Eu acredito que surgem referências nesse momento. O afrofuturismo ajuda na construção de referências porque, quando você tem uma referência, você pode se aproximar um pouco daquela ideia e romper barreiras que não são só simbólicas; são barreiras muito concretas.”
 
Samara Kelly, de 19 anos, entendeu cedo que, ao idealizar o futuro, deseja ter em quem se inspirar. A possibilidade de perceber que alguém igual exerce a tão sonhada profissão ou ocupa uma posição social desejada é algo que a influencia. Estagiária do Primeiro Passo na Defensoria, ela atravessa um momento de aprendizagem na instituição e aproveita a oportunidade para aprender. Assim, ela pretende oferecer um futuro melhor para a família.
 
Atuando na Ouvidoria, Samara transita em um espaço cuja representatividade é forte. Desde a criação, o órgão só foi gerido por pessoas negras: três mulheres e, agora, um homem. O legado dessas lideranças faz nascer sonhos na jovem. “A Antônia [ex-ouvidora] é uma pessoa surreal. Eu admirava a forma como ela ensinava, a paciência que ela tinha. Ela me fez acreditar que eu, como pessoa negra, posso chegar longe. Também me deu várias orientações para o meu futuro”, ressalta.
 
Em uma sociedade excludente, de comportamentos racistas e que sempre mostrou o negro como ser inferior, incapaz, pensar o futuro é revolucionário. É defender um direito básico. É lutar pelo outro e dar às proximas gerações a possibilidade de querer, mas de também realizar.
 
“Você enxergar um negro não só pela cor, mas pela pessoa que ele é”, esse é um dos sonhos de Jéssica, Samara, Michelle, Jonael e todos aqueles que entendem o mundo como um lugar onde cada um é soberano de si e do próprio amanhã. Porque o futuro é de quem sonha. E faz.
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